Picking me, choosing me, loving me

08/05/2017

Quando encaro o espaço em branco do editor de postagem, penso em tudo e nada ao mesmo tempo. É como se minha mente fosse um funil entupido: tanta coisa querendo sair ao mesmo tempo e nada saindo de fato.
Só sei que quero falar sobre escolhas.

"A vida é feita de escolhas" é só mais um dos muitos clichês que fazem sentido em determinados momentos da nossa vida. Escolhemos a roupa que vamos vestir pra ir ao trabalho, escolhemos a faculdade que queremos cursar, escolhemos causas que vamos apoiar, escolhemos um lado. Com o tempo, a gente acaba aprendendo que nem tudo é tão preto no branco quanto parece e a palavra "depende" acaba se tornando constante nas nossas conversas. As opções extremistas passam a soar burras e rasas.

E quando você acha que finalmente encontrou um meio termo, eis que a vida, outra vez essa ingrata, te coloca em uma posição complicada e você acaba se traindo.

Toda essa introdução sem eira nem beira foi feita porque eu tenho medo de dizer que escolhi tomar meu próprio partido em caráter estremo.

Medo? Por que medo? Bom, quando começamos a torcer por nós mesmos, vários adjetivos aparecem pra nos classificar e nenhum deles parece bom ou gentil. Egoísta, egocêntrica, individualista, convencida; são apenas alguns que eu lembrei agora. Todos eles fazem com que essa escolha pareça errada.

Mas tem uma parte de mim que começou a gritar por ajuda. Ela precisava de apoio, de confiança, de suporte, e de mais um monte de coisas que ela não podia receber porque todos esses recursos estavam sendo jogados pra fora. 

Você está triste? Seu amigo certamente está mais triste do que você. Sufoque sua tristeza e vá ajudá-lo.

Alguém te magoou? Provavelmente foi sem querer. Melhor deixar pra lá, vamos nos poupar de mais confusão.

Eu poderia fazer dezenas desses parágrafos.

Enquanto isso, a tal parte de mim continua sufocada, encolhida, abrindo mão de si mesma em prol dos outros. Esses outros não se dão conta disso, mas como poderiam fazê-lo? A única Natália que eles conhecem é essa que não precisa de nada, que releva tudo, que nunca demandou mais do que estava sendo oferecido.

Bom, a parte negligenciada aprendeu a gritar. Ela grita tão alto que não podemos mais sufocar, encolher e nem abrir mão. Ela está aqui, eu estou aqui. Estou ouvindo.

E foi por isso que decidi tomar meu próprio partido. O caráter extremo veio da urgência e da necessidade. Não sabemos por quanto tempo ele vai ficar, quantos amigos vamos perder ou quantas pessoas vamos magoar. O que sabemos agora é que não importa. Forte dizer isso, não? Mas é verdade, não importa.  Porque eu estou tomando meu próprio partido, estou me dando valor, estou me permitindo ocupar o primeiro lugar na minha vida.

E eu não preciso ocupar nenhum outro lugar.

8 comentários:

  1. Amore, liguei para os seus próprios sentimentos e cuide de si mesma, se você não cuidar, ninguém vai. Eu aprendo isso todos os dias. Não é egoísmo colocar-se em primeiro lugar.
    As pessoas sempre querem pedir ajuda, mas nunca nos dão ajuda.

    Com amor,
    Bruna Morgan

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  2. Uau, que texto! É realmente algo que eu teria escrito tempos atrás quando tive essa mesma percepção que você está tendo agora. Te digo que não é fácil, mas quando entendemos que o que importa de verdade é o que estamos sentindo e não o que os outros estão sentindo em relação a nós tudo muda, você começa a se amar mais, se conhecer mais e entender o que você precisa e ninguém melhor que você mesma pra reconhecer-se!
    P.S. Adorei como seu blog está, tão lindo o layout, tão limpo sabe? Gostei de verdade <3

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  3. Oi, Nathy!

    Essa coisa de pensar demais nos outros é realmente um problema...Passo isso bastante dentro de casa e já me ofusquei diversas vezes para que meu irmão tivesse mais atenção dos meus pais. Fui me dar conta disso um dia desses e percebi quão cansada estou de tomar essa postura e não sentir uma atenção voltada pra mim e que cuide de mim, sabe?

    Acho que você está mais do que certa e também vou começar a tomar partido por mim mesmo, já que ninguém faz. Não importa se a atitude é egoísta porque a verdade é que essa é uma característica do ser humano em geral, então dane-se. Vamos cuidar de nós mesmas!

    Beijos <3

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    1. É isso aí Larie!!
      A verdade é que se a gente não se der valor e se colocar em primeiro lugar, ninguém vai fazer isso. E nós precisamos disso.
      Temos que lutar por nós mesmos. E aposto que seu irmão consegue aprender a lutar por ele mesmo.
      Beijos

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  4. Oi, meu bem!
    Compreendo muito o seu texto. A pouco tempo atrás eu não ligava pra mim, de um certo modo era como se eu não existisse de fato. Eu existia, claro. Mas eu existia para as pessoas, e isso me desgastava. Até que eu aprendi que eu quero está em primeiro lugar em minha vida assim como você e o mais importante de tudo, a existir pra mim. Fico feliz que tenha começado a por você em primeiro lugar, é a melhor coisa que você faz. Fazendo isso os demais serão acrescentados.

    Beijos!
    Www.memorizeis.blogspot.com

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    1. ♥♥
      É muito desgastante viver pros outros :(

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