6 vezes em que fui enganada pelos computadores

19/01/2017
Lembro com clareza do dia em que usei um computador pela primeira vez. Eu tinha 6 anos e meu tio me deixou passar as férias inteiras desenhando no paint e trocando a cor das letras no Microsoft Word. Ele também me mostrou dois programas: o Cante, que era uma espécie de karaokê de música popular brasileira e o Show do Milhão (sim, daquele programa do SBT). Acho que essas foram os melhores dias de férias que eu já vivi.

A segunda vez aconteceu quando a dona da escolinha achou que seria uma boa ideia colocar um monte de catarrentos pra jogar campo minado sem explicar pra nenhum deles como o jogo funcionava. A professora que ficou encarregada da função estava claramente entediada e nem um pouco a fim de supervisionar os alunos. Eu sentei na cadeira, dei alguns cliques, perdi no jogo umas 3 vezes e tive que sair pra dar lugar pro próximo. Saí de lá com um sorriso no rosto, uma cara abobada e os olhinhos brilhando.

Naquela época, ter computador não era tão comum e eu tinha colegas que não tinham nenhum interesse nem intimidade com a coisa - o negócio era roubar o pó compacto da mãe e fingir que aquilo era o comunicador das Três Espiãs Demais, ou arrumar uma bola pra jogar futebol. Não era meu caso.
 
Não demorou muito tempo pra eu entender que um computador era uma coisa muito cara e que muita gente via aquilo como um bicho de sete cabeças. Foi por isso que, quando minha mãe me perguntou se eu queria ganhar um videogame ou um computador de presente de natal, eu não criei muitas esperanças. Pra minha surpresa, meu tio chegou lá em casa com aquela grande geringonça branca na qual eu tinha que colocar uma capa de plástico quando terminasse de usar.

O meu também tinha umas caixinhas de som e um microfone 😎

Desde então, ficar na frente de uma tela, dar cliques e apertar teclas é meu passatempo preferido. Não sei fazer nem uma estimativa porca da quantidade de horas que perdi - ou ganhei - na frente da tela, mas sei que foram muitas. E, como sou claramente uma pessoa que veio ao mundo pra ser feita de trouxa, esse passatempo já me meteu em muitas roubadas (ou, pelo menos, ilusões). Eu poderia guardar esses momentos pra mim mesma, mas passar vergonha na internet também é um dos meus passatempos preferidos.

Sendo assim, apresento-lhes algumas vezes em que fui claramente enganada pelos computadores. Peguem a pipoca, vai ser divertido (pelo menos pra você, porque eu estou chorando em posição fetal só de lembrar).

 AI - antes da internet

 

1. Quando tentei gravar um programa em um disquet
Como já foi dito ali em cima, eu tinha intimidade com alguns programinhas que não vinham instalados em todos os computadores. Eis que todos os coleguinhas que vinham na minha casa brincar ficavam encantados com o tal do Cante e queriam colocar nos computadores deles também. Acontece que eu não fazia ideia de como colocar isso no computador, mas eu tinha bastante noção das funções copiar + colar e do uso de um disquete. 
Resultado: eu copiava o ícone do programa, colava no disquete e achava que era só copiar e colar de volta no computador dos coleguinhas. Além de ficar muito brava porque o truque não dava certo, eu ainda tentava várias vezes com vários disquetes diferentes. 
[Pra vocês terem ideia da minha estupidez, um disquete tinha capacidade de 720 KB, bem menos do que o tamanho de uma música em .mp3, quem dirá de um programa completo. O que ficava no disquete era apenas o atalho do programa.]

2. Quanto tentei excluir um programa apertando "delete" e perdi minha placa mãe
Depois de algum tempo, cansei de jogar Show do Milhão e cismei que queria ele fora do meu computador. Eu sabia excluir um programa? Não. Então eu simplesmente apaguei o ícone da área de trabalho E os arquivos de raiz do jogo. Não satisfeita, resolvi reinstalar o programa porque me arrependi de ter excluído.
Resultado: o computador entrou em conflito e começou a funcionar muito mal. Levamos pra um técnico aqui perto de casa e ele disse que ia ter que substituir a placa mãe. A minha mãe (que não era a placa) pagou uma fortuna no conserto e o cara colocou uma placa bem pior do que a que a gente tinha. Hoje eu tenho plena convicção de como instalar e desinstalar um programa, bem como a noção de que bastava formatar o computador pra resolver o conflito.

Recadinho para o técnico que fez essa palhaçada
Espero que você tenha enfiado a minha placa com um FUCKING PENTIUM 4 na sua bunda, seu infeliz. E espero que você acredite em Deus e que ele passe o vídeo dessa palhaçada no telão no dia do seu julgamento final. Filha da puta.

3. Quando tentei morrer no jogo do Barney
Quando meu tio colocou o computador aqui em casa ele também me deu um CD com vários jogos do Genesis, da Sega. Passei muito tempo da minha vida jogando esses joguinhos. Tinha Sonic, tinha um jogo d'O Fantástico Mundo de Bob (melhor desenho) e vários outros. Foi tudo muito divertido, até que achei um jogo do Barney e Seus Amigos em que as crianças se escondiam e você tinha que encontrá-las no cenário.
Resultado: ganhava todas as partidas e nunca morria no jogo. Comecei achando que eu era MUITO gamer, ótima naquele jogo, mas depois fiquei desconfiada e comecei a procurar meios de morrer. Perdi horas da minha vida (sério, fiquei mais de um dia tentando). Não tinha como morrer. Até hoje não gosto do Barney.

MUITO DIFÍCIL achar as crianças, meu Deus, onde é que elas se esconderam?

DI - depois da internet


4. Quando a internet disse que era uma boa ideia embrulhar presente com papel craft
Dezembro é o mês em que a internet é atacada por uma quantidade inimaginável de tutoriais DIY de natal, amigo oculto, ano novo e afins. Tem vídeos ensinando desde a dobrar guardanapos de 5 jeitos diferentes até montar toda a decoração de fim de ano com materiais recicláveis. Foi nessa onda que eu achei um vídeo muito fofo explicando como fazer um embrulho de presente LINDO usando apenas papel craft e papel laminado. Resolvi testar.
Resultado: Ficou uma bosta. Meu embrulho foi o mais feio do amigo oculto e eu fiquei com vergonha de entregar. Pra amenizar a situação, resolvi explicar que eu tinha tentado imitar um embrulho que vi na internet. Todo mundo riu de mim. Com razão.

5. Quando a internet (mais uma vez, essa maldita) me disse que meninas de 20 anos deviam saber cortar a própria franja
Ah, BuzzFeed, aquele site responsável por matar nosso tempo com listas engraçadinhas e gerais que vão fazer você se identificar independente da situação. Foi numa dessas que eu vi um post de "20 coisas que você deve saber fazer antes dos 20" ou algo assim. Eu já tinha 21, o que significava que eu já deveria saber fazer todas aquelas coisas há um ano. Um dos itens era: aprender a cortar sua própria franja. Infelizmente, eu não sabia fazer isso.
Resultado: Sério que você ainda não adivinhou?

Tive que usar a franja presa por um grampinho por uns bons 6 meses

6. Quando acreditei que dava pra fazer o TCC se eu dedicasse 30 minutos por dia
Não sei como funciona na faculdade de vocês, mas na minha o TCC é dividido em duas matérias, I e II. No TCC I você apresenta o contexto da pesquisa, referencial teórico, metodologia e cronograma - a pesquisa em si só é feita no TCC II. Quando comecei o TCC I decidi que eu ia ser organizada e que não ia deixar tudo pra última hora. Acabei procurando várias dicas na internet de como se organizar, otimizar o tempo, etc; e me deparei com uma que garantia que, com apenas 30 minutos podia, era possível terminar seu TCC dentro de um prazo aceitável. Sem correria, sem pânico.
Resultado: Obviamente não deu certo. Na parte em que você está lendo os artigos/livros do referencial, a dica é válida. Mas na hora de colocar a mão na massa e escrever, 30 minutos rendem menos de um parágrafo. A coisa só começa a render depois de umas 2 horas totalmente dedicadas ao trabalho (inclusive, muito ruim ter que parar de escrever quando você pega esse embalo e ainda faltam 20 páginas). A técnica dos 30 minutos acabou me atrapalhando e eu tive que fazer a maior parte do trabalho nos 45 minutos do segundo tempo. Sorte minha ter dado tempo e entregar e tudo ter dado certo.

O post ficou gigantesco? Ficou. Desculpa, não era a intenção. Mas, se você teve paciência de ler até aqui, me conta nos comentários como foi seu primeiro contato com um computador. Ah, e também me conta se eles já te fizeram de trouxa (por favor, não me deixe pagar esse mico sozinha).

10 comentários:

  1. Guria, adorei esse post! Super nostálgico. hahaha

    Lembro que comecei a utilizar computadores quando tinha uns 8-9 anos e ficava o dia todo no Paint! HAHAHA Ah, me diverti para caramba no Cante por um bom tempo! HAHAHA Logo após isso comecei a jogar pinball, campo minado, paciência e, pouco depois, uns joguinhos de CD-ROM. Quando tinha uns 10-11 anos evoluí para os MMORPGs, tipo Ragnarok ou Cabal.

    Também já fui muito enganada e passei por situações semelhantes às suas, especialmente a parte de copiar atalhos ou deletá-los. hahahaha

    Beijos,
    Attraversiamo

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    1. Eu odiava campo minado porque não sabia jogar. No dia que aprendi, fiquei alguns meses jogando direto kkkkk

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  2. Tenho que concordar com você. Os computadores eram bichos de sete cabeça naqueles tempos, principalmente pra minha mãe que não conseguia entender como eu deixava o arroz queimar somente de sentar na cadeira e ficar olhando pra uma tela em branco, vulgo paint, rs. Detalhe, fiz curso de informática - básico claro - antes de ter um computador pra chamar de meu. Me achava as prega por ser a mais rápida da turma, rs.
    Olha, vou te falar, se pessoa não tiver um leve conhecimento sobre o assunto, toda hora leva calote desses técnicos espertinhos/escrotos que só querem se aproveitar dos trouxas. MAS DEUS TA VENDO, rs. Eu até que com isso tive sorte, porque meu boy manja dessas coisas e nunca me deixou passar por vexames assim. Ah, espera, minto. Quando estava em SP fui comprar um note, comprei um note bom, da ora. Mas aí o que aconteceu? Isso mesmo, deu pane na primeira semana de uso, levei na loja e troquei por um "igual". Quando cheguei em casa, fui ver e a memoria ram era uma bostinha. Fiquei puta, mas vida que segue. Depois de uns anos ele teve fim nas mãos do meu boy que não conseguia lidar com as travadas que ele dava, rs. AIAI
    CORTAR FRANJA EM CASA. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH menina, já fiz isso. Minha mãe estaria de prova. Eu cortava minha franja e como sabia que minha mãe ia brigar eu escondia atrás do guarda-roupa, mas eu anta não imaginava que o cabelo caia no chão, rs. Quando minha mãe ia varrer a casa ela encontrava os tufo de cabelo e aí miga era bronca. Detalhe, como ela não notava a franja esquisita na minha testa eu não sei, rs. Achava que tava arrasando, mas hoje tenho tanta vergonha das minhas fotos antigas que só xezuis.
    AMEI o post e obrigada pelo comentário motivacional lá no meu blog... Bjinhos <3

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    1. Eu também fiz esses cursos. Eu também era a mais rápida da turma, só que na minha turma só tinha umas pessoas mais velhas, então nem é muito mérito haha.
      Gente, que sacanagem essa do notebook! E ele era novo ainda. Eu ia ficar morrendo de raiva.
      Quando eu era pequena fazia a mesma coisa do cabelo, mas eu cortava o das bonecas hahaha. Minha mãe ficava muito brava porque eu estava "destruindo meus brinquedos".
      Beijos ♥

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  3. Muito bom esse post!
    Fazer coisas erradas era algo inevitável né!
    Também já tentei embrulhar um presente com papel craft e também não ficou nada lindo.
    Hahahahaha
    Beijos, Aline
    Verso Aleatório

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    1. Papel craft nunca é uma boa ideia hahaha
      Beijos

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  4. Caramba, desculpa mas ri bastante! Eu tive meu primeiro contato com computador entre os 6-7 anos, desenhei muito no paint, joguei muito pinball e paciência, e eu não lembrava de Show do Milhão, mas joguei muito esse aí também! Também tinha um cd de jogos Snes 98, adorava jogar Donkey Kong, Mario e Família Adams. Mas antes de jogar tinha que fazer digitação no Word de algum documento que meu pai trazia do trabalho hahaha
    E acho que a cagada que lembro que fiz foi jogar o Jogo do Chato na aula de informática da escola, eu estava na primeira série. Nesse jogo você respondia algumas perguntas do tipo: Você é Menino ou menina? Qual sua cor favorita? Prefere futebol ou vôlei? E do nada o jogo entrava em pane e fazia um barulho insuportável, nunca soube o porquê.E nesse dia a caixinha de som estava no máximo e TODOS, inclusive a professora viram que era eu (e era proibido jogar), no final tiveram que reiniciar todos os computadores e levei um chingão da professora uahsuahsuhaushauhs

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    1. Eu também digitava algumas provas pra minha mãe kkk.
      Esses micos de escola, lembro que uma vez fomos pra sala de informática e eu quis dar uma de espertona já-sei-usar-o-computador. Porém, a sala tinha um sistema de rede que só funcionava se todos estivessem ligados ao mesmo tempo. Resultado, travei todos os pcs da sala e tiveram que reiniciar todos enquanto meus coleguinhas olhavam pra mim de cara feia haha

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  5. auhhuahuahua ainda bem que não há registros dos nossos micões da infância, mas te contar que eu sinto saudade da época mágica que era esperar dar meia-noite pra entrar na internet discada kkkk

    bruna-morgan.blogspot.com

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    1. Eu também sinto saudades. Apesar de que não sinto taaanta saudade de ter que esperar 30 minutos pra uma página carregar, mas o barulhinho da conexão era muito amor kkk

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