A gente se sabota

18/05/2017

Lembro com clareza do momento em que meu professor de OSM (que hoje é meu orientador de TCC) entrou na sala e disse que a gente se sabota.

Ele chegou na sala e distribuiu envelopes. Pediu pra gente escrever uma carta pra nós mesmos e disse que ia colocar essas cartas no correio depois de cinco anos. O objetivo da dinâmica era perceber o quanto a gente muda durante o curso, quanta coisa acontece durante tão pouco tempo e, é claro, que a gente se sabota.

Eu estava no terceiro período da faculdade e já estava com a inscrição do ENEN em mãos. Se você me perguntasse, eu te diria - com uma certeza assustadora - que eu ia mudar de curso, que Administração não era pra mim e que eu estava no meu limite.

Foi exatamente isso que eu escrevi na minha carta, porém...

Eu não fui fazer o ENEM naquele ano.

Continuo no curso de Administração e pretendo formar até o fim do ano.

Há um tempo atrás, decidi que queria escrever. Não pretendo ser a próxima Agatha Christie e nem alimento a ilusão de que eu tenho habilidade pra isso. Só queria escrever porque é uma coisa que me faz bem e porque seria um privilégio ter a atenção de alguém voltada pras minhas palavras, mesmo que por poucos minutos. Quando contei isso pra um amigo meu, ele disse que eu deveria escrever pelo menos 400 palavras por dia (aka Stephen King Method, exceto pelo fato de que ele escreve 4 mil). Eu topei o desafio. Criei esse blog em que vos falo. Criei uma newsletter. Criei um tumblr pra compartilhar trechos de livros que me inspiraram (afinal, todo mundo sabe que o melhor treino pra escrita, além de escrever, é ler). Criei uma pasta com o nome "meus textos" no meu computador.

Mas a gente se sabota.

Eu estou aqui colocando essas palavras na tela do computador pra tentar entender como foi que alguns dos projetos que eu comecei com tanto entusiasmo se esvaíram com o passar do tempo. Aulas de natação, academia, alimentação saudável, projeto escritora, arquiteta, engenheira de computação, o instagram que eu criei junto com uma amiga pra compartilharmos promoções e até algumas famílias que tinham todo um futuro planejado no The Sims.

Tantas coisas pra fazer, tão pouco tempo, tanta rotina. Como a gente faz pra parar de se sabotar? 

7 comentários:

  1. A maior prova de que a gente se sabota é aquela lista de "Resoluções para o próximo ano" que algumas pessoas (leia-se "eu também" hahaha) fazem todo final de ano e quando se dão conta, não cumpriram nem metade do que estava na lista...
    Nos sabotamos por muitos motivos e acredito que "prioridades" é um deles.
    Não se sabotar exige muita dedicação, envolvimento, perseverança e até um pouquinho de insistência, né? Porque se descobrimos que não é realmente importante, não levamos adiante!
    Adorei teu texto! Me fez relembrar de tantas vezes que me sabotei e de que ainda me saboto.
    Tomara que um dia a gente descubra como evitar isso.

    Um beijo.

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  2. É uma ótima reflexão. Ultimamente tenho pensando um pouco sobre isso. Não sob a mesma perspectiva. Mas estou pensando inúmeras vezes antes de me engajar em um projeto. Porque tenho para mim que devo me entregar 100% e incondicionalmente. E se eu não for capaz de fazê-lo, não vale a pena me engajar. Olhando sob sua perspectiva, é uma tentativa de evitar a auto-sabotação. Adorei a proposta! Continue com seu projeto de escritora. Não desista! Porque também estou em um, e compartilho esse sentimento!

    ACESSO PERMITIDO. ♥
    www.acessopermitido.com

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  3. Texto ótimo com uma incrível reflexão. Parando para analisar os fatos da minha vida com base no seu texto, eu me saboto pra caralho, e isso todos os dias. Tu fizeste uma boa pergunta...

    "Como parar de se sabotar?

    Xx
    www.memorizeis.blogspot.com

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  4. Eu me saboto muito também, mas percebi uma coisa quando comecei a pesquisar mais sobre minimalismo (lá vem a loka do minimal), que queremos fazer muita coisa ao mesmo tempo e não damos conta de nada! Isso é algo que eu faço muito porque veja bem: eu trabalho em dois empregos, faço pós graduação em outra cidade, quero postar regularmente no blog, quero dar conta de ler todos os livros do mundo, sou voluntária numa ONG, quero fazer mais artesanato porque sei bordar, fazer crochê e tá tudo largado, quero escrever mais assim como você, quero, quero, quero muitas coisas e acabo não fazendo nada direito, logo isso é sim se sabotar. E aí que o minimalismo tem me ensinado a ir devagar com tudo, uma coisa de cada vez sem botar pressão, afinal fora o trabalho e a pós o resto é por pura diversão, não é obrigação e eu acabo transformando em obrigação e me frustro, socorro sou minha pior inimiga! Desculpa desabafei legal aqui, mas é que me identifiquei muito, me saboto pra caralho, mas pelo menos tô percebendo o que tô fazendo, ainda há tempo para mudar!

    http://suspirare.blogspot.com.br/

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  5. "até algumas famílias que tinham todo um futuro planejado no The Sims", claramente eu.
    Sobre a auto-sabotagem: eu também queria uma resposta de porque a gente faz isso. Será medo de algo? É algo a se pensar.
    brancobolcado.blogspot.com.br

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  6. Que texto... falou muito comigo! Eu passei anos com projetos na gaveta esperando o melhor momento para colocá-los em prática... Acho que só comecei a me mexer quando a vida deu um sacode, quando perdi o emprego, passei por um problema de saúde grave, hoje eu procuro não me sabotar tanto, mas é um vício, a gente precisa lutar contra com todas as forças e ficar muito atento... senão, lá estamos nós de novo colocando desculpas e mais desculpas para não agir,por nos sabotar constantemente...

    A gente vai vencendo cada dia...

    Amei o texto!
    Beijos!
    Colorindo Nuvens

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