Curtas #2

16/11/2016
O Curtas é uma série de posts com histórias curtinhas sobre alguma coisa que me chamou atenção nos últimos dias. Não tão pequenas pra caberem em um tweet, nem tão grandes pra renderem um post só pra elas. 

MAIS CORRENTES

No último Curtas (que, inclusive, foi o primeiro) eu reclamei sobre essas correntes de desinformação que rolam pelo whatsapp. Não só isso como exclamei bravamente e com 99,9% de confiança que correntes não serviam pra nada. Acontece que a vida (principalmente a minha) gosta de esfregar na nossa cara que estamos errados. Essa semana recebi outra corrente que me fez refletir. Segue um trecho:
Charlie Chaplin disse à plateia uma piada maravilhosa e todo o povo começou a rir... Charlie repetiu apenas alguma piada e apenas poucas pessoas riram.... ??????? Ele mais uma vez repetiu a mesma piada, mas desta vez ninguém riu ... ?????? Então ele olhou para a plateia e disse ... "Quando você não pode rir sobre a mesma piada de novo e de novo ... então por que você chora de novo e de novo pela mesma preocupação."??? 
Gente, pra quê tanta pontuação?

Moral da história: eu não deveria chorar várias vezes pela mesma coisa se eu não consigo rir várias vezes da mesma coisa. E isso faria todo o sentido e me faria tentar ser uma pessoa mais feliz se não fosse pelo fato de que eu rio várias vezes da mesma piada. Rio mesmo. Sabe aquela piada do pintinho que foi ciscar e caiu? Se alguém me conta eu não consigo não rir (inclusive, estou rindo agora só de imaginar o tombo do pintinho, veja bem).

E o que isso diz sobre mim? Provavelmente que sou uma pessoa meio pateta que gosta de desfrutar das emoções que cada pedacinho de situação pode me proporcionar. Significa que eu sofro muito, mas que eu consigo tirar felicidade até da fonte mais escassa, e tudo bem. Afinal, quem é Charlie Chaplin pra me dizer do que eu devo rir ou chorar? (sem contar que essa historinha da corrente provavelmente nunca aconteceu, né? correntes...)


DISCIPLINADOS

Tem um estagiário francês no departamento onde eu trabalho. Ele chegou há pouco tempo, é meio acanhado, muito gentil, gosta muito de café e faz questão de conversar em português. Só pede pra que a gente não fale muito rápido, porque ele ainda tem um pouquinho de dificuldade pra entender.

Estava conversando com ele sobre hábitos brasileiros (aquela conversa de sempre) e resolvi dar uma dica. Falei que sempre que alguém no transporte público, numa fila ou algo do tipo fosse rude com ele (empurrasse, gritasse, etc.) bastava ele sorrir e usar uma das "palavrinhas mágicas". A pessoa automaticamente fica mais gentil com você e deixa de te importunar. Pelo menos aqui em BH essa técnica funciona.

Eis que ele me solta essa: "_Gosto dos brasileiros porque são pessoas educadas e... disciplinadas"


OI?

Juro que ele usou exatamente a palavra 'disciplinadas' - eu fiquei chocada o suficiente pra gravar bem. Eu já sabia que os gringos nos achavam felizes, prestativos, educados, porque realmente somos (pelo menos com os gringos), mas disciplinados é novidade pra mim. Nunca pensei que uma pessoa ia usar esse adjetivo pra falar dos brasileiros.

Pra justificar ele disse que aqui a gente faz fila e respeita. Na frança, as pessoas furam fila o tempo todo, ou nem fila formam. E ainda disse que o povo de lá é fofoqueiro (sim, bem mais fofoqueiros que nós).

Vivendo e aprendendo.


TRUMP, AGAIN

"Engraçado como a mente da gente funciona" é uma das frases mais clichês do mundo, mas é verdade. A nossa mente é muito estranha. Ela guarda lembranças de traumas e cria mecanismos de defesa, faz associações que, numa análise desleixada e superficial, não fazem sentido algum, mas se você olha de perto tudo está intimamente ligado e conectado de alguma forma, engana nossas percepções... Enfim, a mente humana é essa caixinha de surpresas.

Uma das surpresas que minha mente me deu aconteceu logo depois que eu escrevi esse post falando sobre as eleições presidenciais nos EUA e sobre o voto facultativo. Eu estava fazendo uma das coisas que mais gosto de fazer (sim, eu estava dormindo) quando sonhei que o Trump era meu professor de Direito do Trabalho. É.

O pior de tudo foi que, no sonho, eu precisava tirar 15 pontos em uma prova de 30, e acabei tirando 4. Ele, como um professor super compreensivo, me fez as mesmas perguntas da prova, tipo um teste oral, sabe? No fim das contas, acabei tirando 20 na prova porque, aparentemente, eu sabia a matéria, só não sabia escrever.

Ainda no sonho, eu lembrei do post que eu tinha escrito e fiquei pensando: "E se o professor Trump visitar meu blog e descobrir que eu acho ele um bosta? Depois dele ter me ajudado tanto... ele vai pensar que eu sou uma ingrata, vai ser tão constrangedor". E desse pensamento surgiu a urgência de voltar pra casa e apagar o post o mais rápido possível.

O engraçado nessa história é que eu precisava de exatos 15 pontos na prova de uma matéria que estou fazendo pela segunda vez. Na primeira vez que fiz essa matéria, tirei 4 nessa prova.

Dois pesadelos de uma vez só. Pelo menos o "professor Trump" não me assediou no sonho...

Se você já experimentou ter uma epifania lendo uma corrente, tem uma história legal sobre gringos ou já teve sonhos bizarros, deixa um comentário aí embaixo porque eu vou adorar saber.

Ah, e me desejem sorte. A entrega do famigerado TCC é amanhã. 

12 comentários:

  1. Gostei das histórias.
    1. Mesmo sendo corrente, gostei do que estava escrito. Mesmo eu também rindo das mesmas piadas, já chorei com muita frequência desnecessária.
    2. Nós somos disciplinados? Essa é novidade! Hahahaha
    3. Quase sempre tenho sonhos malucos, muitos deles possuem pessoas que não vejo há anos.
    Beijos, Aline
    Verso Aleatório

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  2. "E se o professor Trump visitar meu blog e descobrir que eu acho ele um bosta?" rindo do seu sonho, tipo, muito. HAHAHA que bizarro! e bom, que surpresa isso de ~brasileiros disciplinados~ acho que se ele pegar o metrô de sp em horário de pico muda de ideia rapidinho, haha.

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    1. Nossa, vou perguntar pra se ele já pegou o metrô aqui em BH (não sei se é pior que o de SP, mas devem estar no mesmo patamar)

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  3. Adoro essas curtas!

    Eu li esse treco ai do riso x choro, deve ter sido no fb... Mas achei que fazia sentido. Tem coisas pelas quais não vale chorar muito mesmo. Mas a gente deve aproveitar mais das coisas que fazem bem =)

    Falam tão mal dos franceses, principalmente parisienses, e eu achei eles tão educados quando visitei Paris! Não posso dizer muito da organização deles porque não peguei nenhuma situação extrema, mas me pareceram muito civilizados. Rola o mito da falta de banho, mas pra mim isso é uma regra fora do Brasil e do Japão, principalmente em países de inverno rigoroso eles não curtem um banho diário não...

    E esse pesadelo com o Trump? Tomara que ele seja bonzinho como no seu sonho, ou estamos todos fudidos!

    Ah, tomara que tenha ido bem com seu TCC!

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    1. Gente, eu achei que isso do banho era só um boato! hahaha
      Ainda estou esperando a avaliação do TCC, mas pelo menos consegui entregar :)
      Beijos

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  4. Babe, ninguém merece ter pesadelos com o Trump, sério.
    Adorei o seu post e boa sorte com a entrega do TCC ❤

    Beijos

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  5. Muito bom ! essa corrente me fez refletir ! Eu tenho uma dica,o seu layout é meio confuso pra quem chega pela primeira vez,já que é tudo branco fica difícil saber o que é parágrafo ou post,espero que não se ofenda.Mas fora isso seu blog e a maneira que escreve é muito legal ! haha

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    1. Que ofendida o que! haha
      É sempre bom ter uma crítica construtiva sobre algo que a gente fez. Eu comprei esse layout pelo Etsy e fiz poucas modificações nele, vou ver o que da pra fazer pra melhorar :)
      Obrigada

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  6. Nossa, esse pesadelo com o Trump foi terrível. Não só pela presença do Trump (o que já seria horrível), mas esses sonhos com pendências/provas no colégio/faculdade são sempre angustiantes. Eu sonho de vez em quando que estou fazendo uma prova e não sei a resposta de NENHUMA pergunta. Hahaha!

    E, nossa, nunca tinha ouvido alguém descrever os brasileiros como disciplinados. Será???

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    1. Nossa, eu também tenho esse sonho. É terrível.

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